sexta-feira, 29 de junho de 2012

20º ANIVERSÁRIO DO CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA





Recentemente escrevi um texto em ralação ao 50º aniversário do Concílio Vaticano II, pois em 2012 celebramos o jubileu deste grande Concílio ecumênico da Igreja Católica. Agora tomo a liberdade de escrever sobre o aniversário de que também celebramos em 2012. São 20 anos da promulgação deste documento idealizado por João Paulo II.


Este precioso documento foi idealizado após o Concílio Vaticano II (1962-1965), mais exatamente em 25 de janeiro de 1985 na Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos, por ocasião do vigésimo aniversário do encerramento do Concílio Vaticano II. Nesta ocasião os Padres sinodais manifestaram o desejo "de que seja composto um Catecismo ou compêndio de toda a doutrina católica, tanto em matéria de fé como de moral, para que seja como um texto de referência para os catecismos ou compêndios que venham a ser preparados nas diversas regiões. A apresentação da doutrina deve ser bíblica e litúrgica, oferecendo ao mesmo tempo uma doutrina sã e adaptada à vida atual dos cristãos". Assim o Papa João Paulo II tomou, então, uma decisão audaz e convocou o então Cardeal Joseph Razinger para presidir este grande projeto. Foi então montada uma Comissão de redação, composta por sete Bispos diocesanos, peritos em teologia e em catequese, coadjuvou a Comissão em seu trabalho. Para que o documento poder ficar tão rico como ficou, foi necessária uma vasta consulta de todos os Bispos católicos, de suas Conferências Episcopais ou de seus Sínodos, dos Institutos de teologia e de catequética, sempre acolhendo com o Espirito a tudo o que era consultado.

O agora Papa Bento XVI confessa que na época chegou a duvidar que isso fosse exequível, pois como seria possível que autores espalhados pelo mundo inteiro compusessem juntos um livro legível.

O Catecismo da Igreja católica se divide em quatro partes que estão ligadas entre si:

1ª parte - O mistério cristão é o objeto da fé; 
2ª parte - É celebrado e comunicado nos atos litúrgicos; 
3ª parte - Está presente para iluminar e amparar os filhos de Deus em seu agir; 
4ª parte - Fundamenta nossa oração, cuja expressão privilegiada é o "Pai-Nosso", e constitui o objeto de nossa súplica, de nosso louvor e de nossa intercessão.

Vemos no trabalho final uma exposição da fé da Igreja e da doutrina católica, testemunhadas ou iluminadas pela Sagrada Escritura, pela Tradição apostólica e pelo Magistério da Igreja, trata-se, portanto de um documento de alto valor doutrinal que deve ser utilizado pela sua simplicidade de linguagem ser ferramenta catequética em todas as igrejas esparramadas pelo mundo, pois sua tradução está em todas as línguas.

O documento foi aprovado pelo Papa João Paulo II no dia 25 de o junho e publicado no dia 11 de outubro de 1992.

O Papa João Paulo II conclui a sua Constituição Apostólica Fidei Depositum que oficializa a publicação do catecismo da Igreja Católica com a seguinte mensagem, “No final deste documento que apresenta o Catecismo da Igreja Católica, peço à Santíssima Virgem Maria, Mãe do Verbo Encarnado e Mãe da Igreja, que ampare com sua poderosa intercessão o empenho catequético da Igreja inteira em todos os níveis, nestes tempos em que ela é chamada a um novo esforço de evangelização. Possa a luz da verdadeira fé, libertar a humanidade da ignorância e da escravidão do pecado, para conduzi-la à única liberdade digna deste nome (cf. Jo 8,32): a da vida em Jesus Cristo sob a guia do Espírito Santo, na terra e no Reino dos Céus, na plenitude da bem-aventurança da visão de Deus face a face (cf. 1 Cor 13,12; 2Cor 5,6-8)!
Dado no dia 11 de outubro de 1992, trigésimo aniversário da abertura do Concílio Ecumênico Vaticano II, décimo quarto ano de meu pontificado.
Joannes Paulus II”

Em virtude dos 20 anos da publicação do CIC, a obra deve ser o tema central do Ano da Fé, proclamado pelo Papa Bento XVI para acontecer entre outubro 2012 e outubro de 2013. Redescobrir os conteúdos do CIC é uma espécie de ponto-chave para a pastoral da Igreja, especialmente nesse período.
É preciso que haja iniciativas nas paróquias e nas dioceses, incentivando-se a utilização do Catecismo nas pastorais, movimentos e grupos, para que o povo em geral possa conhecer os conteúdos fundamentais do Catecismo e assim conhecer a fé da Igreja e da doutrina católica, testemunhadas ou iluminadas pela Sagrada Escritura, pela Tradição apostólica e pelo Magistério da Igreja.

Heriberto Hugo F. Blanco
Aluno do curso de Teologia pela Faculdade Católica de Uberlândia
Paróquia São Judas Tadeu

50 ANOS DO CONCÍLIO VATICANO II





Aproxima-se o jubileu do maior concílio ecumênico da história da Igreja Católica, O Concílio Vaticano II, que deu uma nova luz a Igreja Católica. Foi no dia 25 de dezembro de 1961 que o então Papa João XXIII convocava o concílio através da bula papal Humanae Salutis e em uma Carta Apostólica de 2 de fevereiro de 1962 estabelece o inicio deste concílio ou inauguração  para o dia 11 de outubro de 1962  que terminariam somente no dia 08 de dezembro de 1965. O beato João XXIII, que faleceu no dia 3 de junho de 1963, não pode encerrar o seu trabalho que foi feito pelo seu sucessor, o Papa Paulo VI. Este Concílio teve a participação de 2540 padres conciliares ou prelados um número muito expressivo para a história da Igreja. 


Foram 4 longos anos de trabalho que resultou em 4 constituições, 9 decretos e 3 declarações elaboradas e aprovadas pelo Concílio.


Constituições 

  • Dei Verbum - Constituição dogmática sobre a divina revelação
  • Lumen Gentium - Constituição dogmática sobre a igreja
  • Sacrosanctum Concilium - Constituição sobre a sagrada liturgia
  • Gaudium et Spes - Constituição pastoral sobre a igreja no mundo de hoje

Declarações 

  • Gravissimum Educationis - Declaração sobre a educação Cristã
  • Nostra Aetate - Declaração sobre as relações da igreja com as religiões não cristãs.
  • Dignitatis Humanae - Declaração sobre a liberdade religiosa

Decretos 

  • Ad Gentes - Decreto sobre a atividade missionária da Igreja
  • Presbyterorum Ordinis - Decreto sobre o ministério e a vida dos presbíteros
  • Apostolicam Actuositatem - Decreto sobre o apostolado dos leigos
  • Optatam Totius - Decreto sobre a formação sacerdotal
  • Perfectae Caritatis - Decreto sobre a conveniente renovação da vida religiosa
  • Christus Dominus - Decreto sobre o múnus pastoral dos bispos
  • Unitatis Redintegratio - Decreto sobre o ecumenismo
  • Orientalium Ecclesiarum - Decreto sobre as Igrejas católicas orientais
  • Inter Mirifica - Decreto sobre os meios de comunicação social

O Concílio não tinha o objetivo de condenar erros, heresias ou de estabelecer novos dogmas. O desejo do Concílio era de atualizar a Igreja, colocar em evidencia a missão apostólica e pastoral da Igreja, de apresentar o precioso deposito da doutrina cristã, para torná-la acessível a todos os fieis. O Concílio trabalhou o apostolado dos leigos, a liberdade e tolerância religiosa diante de outras Igrejas cristãs e religiões não cristãs, o ecumenismo, a liturgia, ministério/vida/formação dos presbíteros, a revelação divina, a ação missionária, etc. Os conceitos de renovação, diálogo e participação são fundamentais para a compreensão do Vaticano II.


Em 1995, o Papa João Paulo II, o classificou de “um momento de reflexão global da Igreja sobre si mesma e sobre as suas relações com o mundo”.


Mas uma questão que não deixa de bater na minha cabeça como estudante de Teologia (4º período) na Faculdade Católica de Uberlândia, é se os objetivos foram atingidos com a justa interpretação e aplicação de seus documentos. Alguns estudiosos afirmam que estamos longe de cumprir o que foi elaborado, outros de que o Concílio não foi bem interpretado, mas a grande maioria afirma que sim e que se encontra ainda em andamento, cresce a sua luz ainda nos dias atuais e, portanto vem atingindo seu objetivo mesmo que a passos lentos.


No discurso de encerramento do Concílio o Papa Paulo VI afirmou: "as orientações para aquela renovação de pensamentos, de atividades, de costumes, e de força moral, de alegria e de esperança, que foi o objetivo do Concílio”.


Josef Ratzinger, ainda jovem teólogo, acompanhou de perto o Concílio como perito de seu bispo, o cardeal de Munique, nos trabalhos conciliares. Hoje, nas responsabilidades de Papa, ele tem repetido, com João Paulo II, que o Concílio não perdeu sua atualidade e continua qual bússola, a indicar, de maneira segura, os rumos para a Igreja no século XXI. Em 2005, Bento XVI, defendeu a mesma ideia de seu predecessor dizendo: “Quarenta anos depois do Concílio podemos realçar que o positivo é muito maior e mais vivo do que não podia parecer na agitação por volta do ano de 1968. Hoje vemos que a boa semente, mesmo desenvolvendo-se lentamente, cresce e cresce também assim a nossa profunda gratidão pela obra realizada pelo Concílio. [...] Assim podemos hoje, com gratidão, dirigir o nosso olhar ao Concílio Vaticano II: se o lemos e recebemos guiados por uma justa hermenêutica, ele pode ser e tornar-se cada vez mais uma grande força para a sempre necessária renovação da Igreja”.


É de fundamental importância uma autentica recepção e obediência plena aos documentos, cabe a toda a Igreja (ao clero, religiosos, consagrados e leigos) o esforço para que se cumpra. Saberemos encontrar na oração, no estudo e na leitura, a força necessária para transformar em realidade este Concílio.


Heriberto Hugo F. Blanco
Aluno do curso de Teologia pela Faculdade Católica de Uberlândia
Paróquia São Judas Tadeu de Uberlândia