Aproxima-se o jubileu do maior concílio ecumênico da história da Igreja Católica, O Concílio Vaticano II, que deu uma nova luz a Igreja Católica. Foi no dia 25 de dezembro de 1961 que o então Papa João XXIII convocava o concílio através da bula papal Humanae Salutis e em uma Carta Apostólica de 2 de fevereiro de 1962 estabelece o inicio deste concílio ou inauguração para o dia 11 de outubro de 1962 que terminariam somente no dia 08 de dezembro de 1965. O beato João XXIII, que faleceu no dia 3 de junho de 1963, não pode encerrar o seu trabalho que foi feito pelo seu sucessor, o Papa Paulo VI. Este Concílio teve a participação de 2540 padres conciliares ou prelados um número muito expressivo para a história da Igreja.
Foram 4 longos anos de trabalho que resultou em 4 constituições, 9 decretos e 3 declarações elaboradas e aprovadas pelo Concílio.
Constituições
- Dei Verbum - Constituição dogmática sobre a divina revelação
- Lumen Gentium - Constituição dogmática sobre a igreja
- Sacrosanctum Concilium - Constituição sobre a sagrada liturgia
- Gaudium et Spes - Constituição pastoral sobre a igreja no mundo de hoje
Declarações
- Gravissimum Educationis - Declaração sobre a educação Cristã
- Nostra Aetate - Declaração sobre as relações da igreja com as religiões não cristãs.
- Dignitatis Humanae - Declaração sobre a liberdade religiosa
Decretos
- Ad Gentes - Decreto sobre a atividade missionária da Igreja
- Presbyterorum Ordinis - Decreto sobre o ministério e a vida dos presbíteros
- Apostolicam Actuositatem - Decreto sobre o apostolado dos leigos
- Optatam Totius - Decreto sobre a formação sacerdotal
- Perfectae Caritatis - Decreto sobre a conveniente renovação da vida religiosa
- Christus Dominus - Decreto sobre o múnus pastoral dos bispos
- Unitatis Redintegratio - Decreto sobre o ecumenismo
- Orientalium Ecclesiarum - Decreto sobre as Igrejas católicas orientais
- Inter Mirifica - Decreto sobre os meios de comunicação social
Em 1995, o Papa João Paulo II, o classificou de “um momento de reflexão global da Igreja sobre si mesma e sobre as suas relações com o mundo”.
Mas uma questão que não deixa de bater na minha cabeça como estudante de Teologia (4º período) na Faculdade Católica de Uberlândia, é se os objetivos foram atingidos com a justa interpretação e aplicação de seus documentos. Alguns estudiosos afirmam que estamos longe de cumprir o que foi elaborado, outros de que o Concílio não foi bem interpretado, mas a grande maioria afirma que sim e que se encontra ainda em andamento, cresce a sua luz ainda nos dias atuais e, portanto vem atingindo seu objetivo mesmo que a passos lentos.
No discurso de encerramento do Concílio o Papa Paulo VI afirmou: "as orientações para aquela renovação de pensamentos, de atividades, de costumes, e de força moral, de alegria e de esperança, que foi o objetivo do Concílio”.
Josef Ratzinger, ainda jovem teólogo, acompanhou de perto o Concílio como perito de seu bispo, o cardeal de Munique, nos trabalhos conciliares. Hoje, nas responsabilidades de Papa, ele tem repetido, com João Paulo II, que o Concílio não perdeu sua atualidade e continua qual bússola, a indicar, de maneira segura, os rumos para a Igreja no século XXI. Em 2005, Bento XVI, defendeu a mesma ideia de seu predecessor dizendo: “Quarenta anos depois do Concílio podemos realçar que o positivo é muito maior e mais vivo do que não podia parecer na agitação por volta do ano de 1968. Hoje vemos que a boa semente, mesmo desenvolvendo-se lentamente, cresce e cresce também assim a nossa profunda gratidão pela obra realizada pelo Concílio. [...] Assim podemos hoje, com gratidão, dirigir o nosso olhar ao Concílio Vaticano II: se o lemos e recebemos guiados por uma justa hermenêutica, ele pode ser e tornar-se cada vez mais uma grande força para a sempre necessária renovação da Igreja”.
É de fundamental importância uma autentica recepção e obediência plena aos documentos, cabe a toda a Igreja (ao clero, religiosos, consagrados e leigos) o esforço para que se cumpra. Saberemos encontrar na oração, no estudo e na leitura, a força necessária para transformar em realidade este Concílio.
Heriberto Hugo F. Blanco
Aluno do curso de Teologia pela Faculdade Católica de Uberlândia
Paróquia São Judas Tadeu de Uberlândia

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